A fase má vai passar depressa
Olá.
O meu nome é Fernanda, tenho 46 anos, vivo em Cascais e sou mãe de um adolescente de 14 anos, com um linfoma de hosking, que começou com 12 anos.
O Pedro sempre foi uma criança saudável, tinha aquelas doenças habituais de criança, fazia muito desporto na escola e em associações desportivas, jogava futebol de competição e até era federado.
Em finais de Julho de 2007, fez exames para poder jogar futebol, fez eco-cardiograma, electocardiograma, análises e raio-x ao torax.
No relatório do raio-x dizia que havia um alargamento no mediostino e carecia de outros exames complementares, o resto dos exames estava tudo bem.
A pediatra mandou fazer uma ecografia ao torax, mas disse para não me preocupar e que não era nada de grave. Quando fui com o Pedro fazer essa ecografia, o médico aconselhou a fazer um tac com urgência e não fazer a eco, pois o resultado não iria ser o certo. Foi feito o tac e em contraste com o primeiro diagnóstico era um problema linfático, já havia alguns gânglios, situados no timo, com cerca de 8cm. No dia seguinte, foi ao médico de família, que nos enviou logo para o IPO em Lisboa, fez mais exames e fez a biopsia em Sta. Marta, todos os exames era o confirmar da notícia. Eu já sabia que era grave. Foi então a Drª Ana Teixeira explicou tudo. E tudo apontava para um linfoma de hosdking, faltava a biopsia para confirmar.
Três dias depois veio a confirmação final. Foi horrível! Até aí, ainda tínhamos esperança que o diagnóstico estivesse errado. Foi então nesse dia que o Pedro me perguntou «mãe eu não tenho cancro, pois não? Eu sei que é brincadeira».
Só então a pediatra lhe explicou tudo: como era a doença, quais as consequências do tratamento, que ele iria ficar muito cansado, cair o cabelo, ficar enjoado, aftas, etc. Nesse dia chorou muito, mas depois acalmou. No dia seguinte, começou o tratamento em ambulatório. Reagiu muito mal. Começou logo com os vómitos, aftas e dores nas costas. Foi então que ele desanimou e não queria lutar. Mas tudo foi passando, fez quimio até finais de Setembro e em Novembro fez radioterapia 14 tratamentos.
Terminou todos tratamentos, estava tudo bem, estava em remissão, fazia as consultas e exames para vigiar, até Junho estava tudo bem não havia nenhuma alteração, 3 semanas depois, já a meio do mês de Julho apareceu um alto no torax, junto ao omoplata, fomos logo ao IPO fez uma biopsia, aquela massa fez Pet Tac, análises, onde confirmou que a doença voltou, mas não sabia se era o mesmo ou outro. Fez outra biopsia à medula óssea, que estava bem.
Na semana seguinte, foi por cacecter e fazer nova biopsia porque a 1ª não deu resultado conclusivo. O Pedro voltou a reagir mal à notícia. Ter que viver tudo outra vez é muito mau. A médica voltou a explicar tudo ao Pedro, como iriam ser os tratamentos, era o mesmo linfoma que reincidiu. Os tratamentos eram em internamento e depois fazia auto-transplante.
Então eram 5 dias internado, sempre a fazer tratamento e parava 21 dias, após o 2º tratamento, o Pedro fez a colheita de células para fazer auto-transplante. Foram 4 os tratamentos de 5 dias cada, foi mais tempo porque o Pedro ficava sempre mais dias por causa dos vómitos.
Em Outubro, fez todos os exames necessários para o transplante que foi a 26 de Novembro. Aí acho que é uma das piores fases, são 6 dias de quimio muito forte, no 7º dia então fez o transplante, teve todas as reacções à quimio desde a pele toda vermelha depois queimada e cair diversas vezes, as unhas também caíram, micoses, hemorregias , vómitos, diarreias etc.
Não comia nada, ficou com anorexia, perdeu muito peso, mas apesar de tudo correu bem, saiu perto do Natal.
A recuperação foi difícil e demorou muito tempo.
Agora está bem já recuperou o peso, está na escola, não tem a mesma resistência de antes mas vai com o tempo.
Agora esperamos que estes maus momentos já tenham passado, mas continuamos com muito medo que volte, temos que aprender a viver com isso, sempre com alguns sustos que já tivemos à pouco, mas felizmente estava tudo bem.
Nestas idades entre os 12 e os 14 anos acho que é mais difícil aceitar a doença, os tratamentos, o Pedro ainda não consegue ouvir a palavra isolamento e olhar para o edifício da UTM.
Agora desejo todas as felicidades a todos, tenham fé, e que a má fase passe depressa.
Fernanda Mateus
Outubro 2009
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