Testemunhos e Opiniões
 

A história da minha filha Raquel




Ângela Ramalho
Mãe
angelaramalho1956@hotmail.com

Eu Ângela Ramalho, sou mãe de um menino de 9 anos que se chama Diogo e de uma princesa de 7 anos que se chama Raquel.

Raquel é uma menina linda, muito inteligente e muito forte. Com 4 anos e meio  foi lhe diagnosticado uma Leucemia Linfoblástica de alto risco, no dia 21 de Junho de 2007, no Hospital Garcia de Horta, e após duas semanas de andar enganada com uma amigdalite, pelo centro de saúde da zona. Mas a febre e o inchaço na garganta era de tal forma grande e as nódoas negras que ela tinha nas pernas eram tantas, que me levou a levar ao Hospital Garcia de Orta. Uma médica muito perspicaz, em cinco minutos, fez um diagnóstico que eu não queria acreditar: a Raquel tinha uma doença grave para eu e o pai nos irmos preparando que não era nada facíl, mas que mais tarde nos confirmava com mais certezas com as análises.

Eram 22 horas, do dia 21 de Junho de 2007, que a Doutora nos confirmou a sua suspeita: Leucemia. Caiu-nos o Mundo. A nossa filhinha já estava a levar uma transfusão de sangue e outra de plaquetas, e no dia seguinte iria ser transferida para o hospital IPO de Lisboa onde, até hoje, só tenho de agradecer às médicas, enfermeiras, auxiliares, aos palhaços e às voluntárias. Todo o apoio que nos foi dado e a todas as mães que por lá passaram, porque foram dias angustiantes, muitos medos e sem essas ajudas nós não teríamos ultrapassado os momentos difíceis que lá se vivem.

A minha Raquel sempre foi muito rebelde, mas muito corajosa com tantas injecções que levou e tratamentos que ainda faz, continua a ser uma grande lutadora. Neste momento, está acabar o último ciclo de quimioterapia, já vai à escola, e se Deus quiser vai acabar tudo bem, foram dias de muita angústia e sofrimento que eu vivi com ela, pois muitas das vezes mandava-me para fora do quarto e chamava-me nomes. Mas, no fundo, era toda a revolta que ela estava a sentir por lhe terem tirado os melhores anos de brincadeira, para se tornar uma menina mais madura e obrigada a crescer mais rápido.

Foi uma luta constante para a seguir com os tratamentos da quimioterapia, derivado a seis pancreatites que fez, mas conseguiu vencê-las a todas. Ainda hoje há enfermeiras lhe dizem:
- Não te queremos mais com dores de barriga. Já chega!

Foram dias e noites com dores, sem poder comer, mas hoje come de tudo, pesa 29 kg e tem estado óptima. Só faltam duas injecções do tratamento para acabar. Acredito que vai correr tudo bem e tenho muita fé. E a minha filhinha vai vencer esta luta, tal como muitos meninos vão conseguir.

Precisamos de «Aceitar, acreditar e vencer» palavras de uma senhora que sempre acreditou que esta doença tem cura, basta não desistirmos, por muito que pareça ser impossível. Temos de ter fé e pelos os nossos filhos não devemos desistir e nunca chorar ao pé deles. Eles merecem ser felizes! Amigos, não desistam, Deus fecha uma porta, mas deixa sempre uma janela aberta. Nada acontece por acaso, temos que saber crescer e aceitar e ter muita fé. Tudo irá correr basta acreditar, por muito difícil que seja. Eu sei que é difícil, ver um filho nosso numa cama de um hospital a sofrer com dores, sem conseguir comer por causa das feridas do tratamento, mas não desistam. Eles são fortes e vão vencer.

Um bem haja a todos os meninos e familiares, não desistam de lutar.


Ângela Maria Costa Ramalho, Mãe da Raquel

Quinta do Conde, 7 de Novembro de 2009

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