Sinais e sintomas sugestivos de Cancro
 

Adenopatias

A maioria das crianças tem gânglios linfáticos palpáveis a nível cervical, axilar e inguinal mas a  sua existência a nível auricular posterior, epitroclear ou supraclavicular é francamente anormal. Em termos de dimensões deve considerar-se adenopatia qualquer gânglio com mais de 10 mm de maior diâmetro, com duas excepções: a nível epitroclear onde acima de 5 mm já é considerado anormal e para os gânglios inguinais que só são considerados anormais acima de 15 mm.

Posto isto, temos que definir se se trata de adenopatias regionais ou generalizadas, estando neste último caso envolvidas, por definição, duas ou mais regiões ganglionares não contíguas.

Predominantemente as adenopatias na criança estão relacionadas com infecções.

Apesar de as leucemias terem, com frequência, uma apresentação sob a forma de adenopatias generalizadas, esta não costuma ser a única queixa associando-se outros achados clínicos e laboratoriais. Tipicamente,  as adenopatias são firmes, com consistência de borracha,  em conglomerado, não se associam a dor, calor, eritema ou flutuação e, no decurso de avaliações seriadas, vão aumentando de tamanho.

Nas adenopatias regionais a localização não cervical é mais sugestiva de cancro. No geral, qualquer adenopatia com mais de 25 mm deve ser investigada e precocemente considerada a indicação para biópsia excisional. Há, frequentemente, indícios de doença sistémica como a presença de uma massa abdominal ou torácica, ou alterações no hemograma. O linfoma não-Hodgkin e o neuroblastoma são dois dos cancros que com maior frequência tem esta forma de apresentação.

O diagnóstico diferencial de adenopatias na região da cabeça e pescoço é mais difícil porque nesta localização as causas infecciosas agudas ou crónicas são habituais.

Na adenite cervical aguda existem, em geral, sinais inflamatórios locais.  Na etiologia bacteriana o Staphilococcus aureus e o Streptococcus beta-hemolítico são os agentes mais frequentes. Outras causas infecciosas de adenopatia cervical são doença do arranhão do gato, micobacteriose, toxoplasmose, e infecções por vírus Epstein-Barr, citomegalovírus ou vírus da imunodeficiência humana.

Nos casos de adenopatia da cabeça e pescoço crónica, persistente ou progressiva, a etiologia neoplásica é mais provável. Os tumores mais frequentes nesta área são os linfomas. A idade da criança é uma informação relevante. Até aos 6 anos os cancros com envolvimento mais frequente a este nível são o neuroblastoma, os linfomas não-Hodgkin, o rabdomiossarcoma e o linfoma de Hodgkin. Acima desta idade o linfoma de Hodgkin e o linfoma anaplásico são os mais comuns, seguindo-se o rabdomiossarcoma e o cancro da tiróide.

Quando não há resposta aos antibióticos, ou há sinais de flutuação e/ou gânglio com dimensões superiores a 25-30 mm deve proceder-se a avaliação diagnóstica mais alargada. Esta pode incluir prova de Mantoux, radiografia do tórax, hemograma completo com leucograma e plaquetas e cultura de outros locais suspeitos de infecção; as serologias para vírus, bactérias e fungos serão indicadas pela história e exame físico. As indicações para mielograma e biópsia de medula óssea incluem:

1. Alterações na radiografia do tórax.
2. Anemia ou trombocitopenia.
3. Hepatosplenomegalia significativas.
4. Combinação das anteriores.

A necessidade de biópsia do gânglio é sugerida por:
1. Gânglio ou gânglios que crescem ou se mantêm aumentados após 2 ou 3 semanas, especialmente após antibioticoterapia.
2. Gânglios que não diminuem após 5 a 6 semanas ou não voltam ao normal após 10 a 12 semanas, especialmente se associados com febre inexplicada, perda de peso, ou hepatosplenomegalia (gânglios supraclaviculares ou cervicais baixos devem ser biopsados mais precocemente).
3. Gânglios aumentados e radiografia do tórax com alterações.



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